segunda-feira, 18 de maio de 2009

Zapeando pela net...






Zapeando pela net, vi um blog lindo(que foi encerrado em 2006). Vou reproduzir dois trechos dos que considerei mais maravilhosos:




Então a gente acha que cresceu, que é adulto, gente grande,             desenvolvimento mental completo, pulgas existenciais atrás das orelhas como deve ser, discernimento integral, maturidade completa, conflitos essenciais superados ou justificados ou mandados à putaqueospariu, filosofia, teologia, psicanálise, literatura, meia dúzia de religiões adotadas, estudadas, e abandonadas, yoga, um casamento desfeito, um número considerável de pés na bunda, algumas pindaíbas financeiras, grandes e até não muito numerosas decepções, perdas emocionais importantes, materiais perfeitamente superáveis, angústias compatíveis com a idade, caderno de receitas interessante, gosto musical mediano, cultura tipo armazém secos e molhados que quebra o galho, algumas viagens, amigos que resistiram às intempéries, amigos que não resistiram, amigos dos quais a gente mesmo desistiu, relativa paz de espírito, enfim. E quando menos se espera, por um motivo que poderia soar banal, ordinário, comum, no big deal, a gente percebe que ainda havia ingenuidades intactas.
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Possivelmente o gosto de café recém passado tenha impedido hoje pela manhã o mais brutal assassinato que já se teve notícia e por restarem alguns poucos amores perfeitos incólumes depois do temporal da noite passada, em algum canteiro do Menino Deus, não vai haver chuva de granizo. É precisamente aquele sorriso que você ficou em dúvida se mostrava ou não que evitou sua hérnia de disco e porque ainda existem passarinhos que sujam nosso pára-brisa que não tem havido furacões. Possivelmente é porque ainda existem avós que bordam toalhas em ponto cruz que estamos mais perto da cura de uma doença bem grave porque existiu Van Gogh que a humanidade não foi assolada novamente pela peste. É porque há quem coma chocolate antes do almoço que a sanidade das professoras de primeira série é mantida e porque você tira os sapatos debaixo da mesa de reunião que seu carro não vai amanhecer com um pneu furado. Possivelmente porque há quem durma um pouquinho no banheiro durante o expediente, evitou-se um desastre nuclear e porque tem um ipê florescendo por engano em pleno maio que este ano não vai haver enchentes. É porque há joaninhas na sua cortina da sala que não brota um grande vulcão na Av. Borges de Medeiros e porque você caminha devagar e sacudindo um pouco para os lados que eu decidi que viver vale a pena.




Em tempo: o nome do blog é Megeras Magérrimas



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