quarta-feira, 1 de julho de 2009

Toques de elegância -Martha Medeiros

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez, por isso, esteja cada vez mais rara e fora de moda: é a elegância do comportamento…

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples “obrigado” diante de uma gentileza…

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma, nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada…

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas pessoas que escutam mais do que falam…

E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades, normalmente ampliadas no boca a boca…

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas…

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores, porque não sentem prazer em humilhar os outros…

É possível detectá-la nas pessoas pontuais. Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte,antes, quem está falando e só depois manda dizer se está ou se não está…

Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais…

É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o quanto você teve que se desdobrar para o fazer…

É elegante não mudar seu estilo, apenas para se adaptar ao outro…

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais… É elegante retribuir carinho e solidariedade.. “É elegante o silêncio, diante de uma rejeição…”

Sobrenome, jóias e nariz empinado, não substituem a elegância do gesto…

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante…

É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens.

Abrir a porta para alguém, é muito elegante. Dar o lugar para alguém se sentar, é muito elegante…

Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem imenso para a alma…

Oferecer ajuda, é muito elegante… Olhar nos olhos ao conversar, é essencialmente elegante…

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la, é improdutivo…

A saída é desenvolver, em si mesmo, a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigos”… não tem que ter estas coisas…

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la…

Educação enferruja por falta de uso…

E…, um detalhe: não é frescura.

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