domingo, 3 de janeiro de 2010






















Quanto a mim... 


O amor passou.


Peço que não faça como a gente vulgar,
Que não me volte a cara quando passe por si,
Nem tenha de mim uma recordação
Em que entre o rancor.

Fiquemos, um perante o outro,
Como dois conhecidos desde a infância.
Que se amaram um pouco quando meninos.

E, embora na vida adulta
Sigam outras afeições, conservam sempre,
Num escaninho da alma,
A memória profunda do seu amor antigo e inútil


Texto "Cartas de Amor" de Álvaro de Campos 










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