terça-feira, 8 de junho de 2010

Vai ter festa no céu hoje... e aqui, tristeza...

Foto retirada do site A Tarde Online

Sempre que chove em Salvador o mar fica triste.

A cidade, que parece brilhar com a luz do sol, entristece. A praia fica feia. Feia não... Real. Talvez ela me faça lembrar que não há alegria imutável.

Sabe, eu não sei lidar com a morte. Fico entre a revolta estéril e o desespero impotente. Normalmente é uma pessoa extremamente boa. Po, com tanta gente pérfida no mundo, porque só as pessoas boas morrem? E de coisas absurdas, trágicas, feias.

Sei lá, acho que as pessoas boas não deveriam morrer, mas se a eternidade lhe fosse insuportável, que eles adormecessem e não acordassem, já sem vida. É isso. Em minha opinião, as pessoas boas, se caso inevitável fosse, deveriam partir deste mundo com um afago.

Mas quem sou eu pra questionar os desígnios do arquiteto do mundo, Deus. Questiono mas me resigno.

Bela merda de fúria impotente. Não tem nada de beleza nisso.

Bem, no livro que acabei de ler tinha uma frase que me tocou profundamente: " Se esta pessoa não merecer o céu, do jeito que ele é vendido, eu não sei mais em que acreditar."

Aqui em casa o povo é protestante, daí vem aquelas noções de " oras, ela foi boa e deveria ter se convertido e adorado o Deus único(o deles é claro)." Puta idiotice. Mas esta é outra história.

Eu não sei lidar com a morte. Algo em mim morre quando alguém realmente bom morre. Quando alguém ruim morre também. Bem, eu odeio a morte de qualquer jeito. Acho que foi por isso que parei de ver televisão. Não suporto saber que alguém morreu.

Eu prefiro lidar com as certezas. Mesmo as pequenas.

Quando chove em Salvador, a praia chora e a ressaca invade o continente.

Quando alguém bom morre, chove em salvador. Uma chuva diferente. Uma chuva que parece o céu lavando a casa pra receber um convidado de honra.

Hoje o céu está lavando a casa pra uma convidada especial.

A mais elegante que já conheci. A que me ensinou que decência e simplicidade independe de classe social. Aquela que fez questão de me aplaudir de pé na minha primeira vitória. Lá estava ela com suas vestes brancas e de linho.

Acho que nunca mais vestirei linho sem lembrar dela...

Em todas as minhas vitórias, você estará lá.

Vai em paz elegante Dona Lene. 




Foto daqui
Se queres partir ir embora
Me olha da onde estiver
Que eu vou te mostrar que eu to pronta
Me colha madura do pé

Ó meu pai do céu, limpe tudo aí
Vai chegar a rainha
Precisando dormir
Quando ela chegar
Tu me faça um favor
Dê um banto a ela, que ela me benze aonde eu for

O fardo pesado que levas
Desagua na força que tens
Teu lar é no reino divino 
Limpinho cheirando alecrim"

Maria Gadu

2 comentários:

Anônimo disse...

Como eu já disse, amo Maria Gadu.

Lamento por sua perda.

Parece superfcialidade falar, mas durante a vida a gente vai aprendendo a lidar com elas. Dói sempre. Mas a gente vai acumulando perdas.

Sim, o céu fica cinza. Ás vezes isso é lindo. Ás vezes muito triste.

Bjos

luba disse...

xero nega =(