sexta-feira, 30 de março de 2012
Exaustão
A tristeza me chamou pra dançar porque o amor deixou.
Enroscou-se em minhas pernas e me possuiu sem aviso e sem pudor. No meio da rua.
Não rasgou minhas vestes. Tristeza é sutil e elegante.
Chegou de mansinho e quando me vi, estava atada em correntes. Senti o frio cortante daquele metal sujo. Tétano. Terei tétano, certamente. Talvez morrer. Que seja logo, que seja breve. Seria alívio, alento. Não, não meu corpo físico. Este tem muito a fazer. O corpo que ama. Que morra.
A tristeza é sádica. Ao me torturar, falava mansinho, secava minhas lágrimas e me banhava com óleo de esperança. Com os sentidos inebriados, desfaleci.
Ah tristeza... se quer entrar, ao menos tome conta de mim.
Sou hoje apenas ninguém.
Mas que fique o alerta:
Queridos! Quando o amor bater em sua porta, esconda-se. Apague todas as luzes, feche as janelas e tranque as portas. Faça com que ele vá.
Prevenir é melhor que remediar, acredite. Faça com que o amor vá. Aviso de antemão que ele é completamente sem noção. O malandro penetra e inconveniente. Chega sem avisar, abre a geladeira, mistura frutas e estações. Bagunceiro contumaz, alega que é míope e um pouco surdo. Não creia. Jogue-o ao vento. Não o acolha.
Fuja. Se ele não tocou em sua porta, fuja.
Ainda está aí?
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