Que susto infinito!
ele tinha Sua constituição física. Estava sentado ao lado de uma moça bem bonita por sinal. Em Vale a pena ver de novo tá passando O Clone e ali estava esperando o momento do Sérgio Malandro parar o ônibus e me dizer que era pegadinha com meu saudoso coração. Ah! As alucinações da fome...
Tinha, diante de mim, um homem à Sua imagem e semelhança. Gêmeo perdido?
Comecei a observar a cena surreal. Putz, ele sentava como Tu te sentas. O formato do rosto era igual. O cabelo era parecido mas o dele tava desarrumado.
O jeito que o braço estava sobre a menina me era familiar. Faltavam-lhe 3 coisas para ser Tua cópia fiel, coisas estas que ele nunca poderia mimetizar:
- Tua boca. A dele era sem graça, comum. Um desenho quase feminino. Não o vi sorrindo, mas duvido que Teu sorriso possa ser reproduzido.
- Teus olhos. Ele estava de óculos escuros. Mas este tom de castanho é só Teu. O brilho também. E este olhar que esconde o infinito...
- Tem mais. Tuas mãos. As dele eram terríveis, pareciam as mãos do Dino da Família dinossauro. Feiosas. Dedos curtinhos sabe? Eca. Feias. Duvido que aquela mão tenha a medida exata da minha cara, como a Tua.
Em compensação, tive que morder a língua pra controlá-la e evitar que um engano fosse cometido. Confundiu as orelhas dele com as Tuas, a coitada. Igualmente deliciosas, ao menos na avaliação parcial de minha língua. A boca encheu de água.
Óbvio que tanta observação não passaria impune. O quase clone se remexia como se soubesse que tinha uma tarada comendo-o e desejando-o com voracidade. O que ele não sabia era que o alvo do apetite nem era ele, mas as lembranças que dele emanavam. Acredita que até o Seu cheiro ele tinha?
Não, nem era o do perfume. o Seu cheiro. Aquele cheiro pessoal e intransferível que todo mundo tem. Pois. Este mesmo.
Sentado ele estava na altura dos meus seios. Ônibus lotado, ao passar uma mulher quase leva minha bunda, além de me jogar perigosamente em cima dele. Antes que a loucura estivesse feita(dizem que a sanidade some com a fome), fui pra frente e saltei do ônibus, que se foi levando Seu clone e deixando no ar Teu cheiro e as mil e uma lembranças.

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