quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ah se tivesse eu decalcado a textura de tua pele...


“No rótulo dizia: “Cuidado Amor” - um comprimido ao dia.
Venda sob prescrição médica.
Tomei o vidro todo. No hospital o diagnóstico foi: tentativa de suicídio.
Mas ninguém havia me perguntado nada.
…era só uma tremenda saudade.
Só isso.”

Michelle Trevisani




E quando a vontade é de sentir o cheiro?

A diferença da textura do cabelo pra textura da pele?
a mão espalmada na bunda? A respiração, o gemido, o suor, o mijo quente que acaricia a pele, o gosto.
A boca bem delineada, quiçá esculpida pra puro deleite e tentação.
A língua gostosa que meteu-se nas páginas do livro mais particular.
A mão que fez cócegas em minhas costas, que me asfixiou.
O ouvido que lambi e que me fez gemer de antecipação.
A voz que entrou em mim dizendo coisas que nem ouso reproduzir.
O pé que beijei, lambi e chupei, embora dissesse aos quatro ventos: "eca! podolatria!"
Aquele rastro de pêlos macios que sei lá quantas mãos sentiram, mas que tive igual oportunidade.
A maciez do pau duro, aquela que só dá pra sentir com a boca.
A rigidez, que só dá pra sentir com a mucosa...

Sim. Tenho saudade.

Mas saudade é que nem comprimido. É ruim, difícil de engolir... Mas um belo dia, você descobre que vai até com pouca água.


E como comprimido grande, vou te mastigar saudade. Você é amarga e parece não ter fim, mas um dia te engolirei, com a devida cara feia.


Ou você me engolirá. Quem pode saber?




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