terça-feira, 15 de novembro de 2011

A flor no asfalto.





Contradizendo as estatísticas,  a mística e a ordem natural das coisas,  ela deixou que florescesse.

Aquele amor que não tinha tamanho, belo como uma flor. Solitária, é verdade. Mas linda.

Era tão iludida que dizia a si: "não importa que seja asfalto. eu tenho vida por nós dois."

A cada dia uma de suas pétalas era machucada.  Ah como ela amava aqueles marronzinhos. "Marca de quem viveu", suspirava a flor.

No poema é lindo. Na vida real, flor precisa daquelas coisas que aprendemos nas aulas de Ciências. Água, luz, calor, ar e como a professora é romântica, inventou que plantinhas, para nascerem precisam de carinho e cuidado e recomenda: "cuidem bem de sua semente de feijão no algodão viu?"

Tolinha. Mal sabe ela que flor insistente nasce em qualquer lugar. Mesmo sem água. Mesmo sem luz ou calor. Mesmo sem nada.

Sobreviver é que são elas.


Voltemos à flor, murcha e machucada, mas ali, firme e forte.


Até quando? Sabe Deus.


Espero que um dia, um motorista desenfreado e generoso indique pra flor que ali não é seu lugar. Ele virá e  a arrancará como quem tira erva daninha e ao vê-la machucada e suja, perceberá que não serve pra muita coisa. E a jogará no chão de algum lugar, onde ela perderá primeiro o viço, depois a cor e depois a vida.

Apenas pra aprender que flores e asfaltos, definitivamente, não combinam.


2 comentários:

{Λїtą}_ŞT disse...

Ai lu... isso devia rodar o mundo. Em defesa das flores.
Beijos de sol.

{Λїtą}_ŞT

µrsiŋђα Ѽ  disse...

Lindo perfeito...

bjs de mel
ursinha