domingo, 14 de novembro de 2010

Aparta tuas garras fortes de mim, ou sobre máscaras.

Sim, é isso. Preciso de máscaras pra quando ele se atrever novamente a bater em minha porta. 


Ele é gaiato e desfeito de convenções, não toca a buzina. Iso anteciparia tua reação. Bate sutilmente na porta,  ou pergunta ô de casa, bem à moda antiga, bem naquele dia que você esqueceu de colocar  trinco, exatamente antes de sua cautela mandar olhar pelo olho mágico. 


Você é daquelas que escancaram a porta deixando que o visitante inDESEJADO perceba que você lê apenas o caderno 2 do jornal, que espalha revistas pela casa e que toma sorvete no café da manhã? RÁ! Você expõe suas covardias e medos? 


Você se mostra né?  Mostra também a calcinha molhada pelo avesso? Mostra que o seu sofá está vazio e que o controle está à mercê de quem olhar? 


Mostra que só come fandangos com doritos e queijo por cima com coca-cola zero? E as inseguranças? Você as esconde no ármário? Não né? Como toda pessoa lerda você escancara a porta. 


Eis a solução:


Pois bem. Assim que ele vier, abra a porta assim:




Uma para cada dia da semana. E no domingo, escolha A fantasia. 



Ria horrores quando ele fugir assustado e anotando mentalmente o cálculo da distância saudável a manter de alguém como você. Ou chore. No fim das contas dá no mesmo. 
No fim das contas o que importa é proteger tua bagunça adorada, de forma que o controle esteja em tuas mãos, mesmo que você nem saiba qual canal quer ver.


Grite de euforia  por ter tv a cabo desbloqueada com trinta e nove mil canais com imagem em alta resolução.
Daí sente com um pote de sorvete e assista à reprise de lagoa azul. 


É a vida menina.

No fim das contas, tua televisão agradece, mesmo que você necessite chorar. 



Aparta tuas garras fortes de mim.

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