domingo, 24 de julho de 2011

Sou um brinquedo... Venha e brinque comigo...




"I'm a toy
Come and play with me, say work now
Wrap your legs
Around me ride me tonight
Sex, sex, sex"



Conto feito para ser lido ao som de Lovage



Desceu  as escadas com cautela. O salto era alto e o vestido curto. Temia cair sem amparo.
Entrou no táxi em que era esperada pontualmente às 18:00. Ela, a rainha do atraso.
Dirigiu-se ao local apreensiva. Aquele fio incomodava o andar. Pra que fio dental quando podia-se estar sem nada? Droga. Moço caprichoso. Onde já se viu prender fita em calcinha? Menino criado por vó num apartamento sem varanda.  Ah se conseguisse desobedecê-lo.

Chegou e sentou-se. Varanda de um bistrô com decoração rústica. A espera a deixava nervosa. Pediu água. E um drink de nome engraçado. Esperava a hora determinada para decidir-se. Caso aceitasse as condições, teria que apoiar o pé descalço na cadeira, abaixar-se e colocar uma fita vermelha do Senhor do Bonfim no tornozelo, pontualmente às 20 horas. Após isso estaria descalça. 

Quando Ele chegou e disse boa noite, pode sentir o cheiro gostoso de loção pós barba. Refrescante. Beijou-a na testa e sentou-se. Alto. Ele parecia ter 10 metros, embora fosse poucos centímetros maior. 

O nervosismo escorria no meio das pernas. Era possível suar ali? 

- Temos uma hora. Fale sobre você. Aquela boca provocante falava em slow motion. Foi desenhada na medida pra enlouquecê-la. 

- O que? 

Ele sorriu. E repetiu:

- Eu sei que está me desenhando com a língua. Pare e preste atenção ao que digo pretinha. Fale sobre si. 

O arrepio que subiu pelas costas não era comum. Daqueles olhos saíam labaredas que a queimavam. 

- Eu não sei o que dizer.

Eles se olharam por segundos infinitos até que o garçom chegou com o pedido dela.

- Hummm... Head Shock? Absinto com tequila sem gelo? Você bebe?

- Não. 

- E por que pediu? 

- Não sei, pedi a primeira coisa que vi. 

- Entendi. Não beba. 

Era a primeira ordem dada por Ele naquela noite. O arrepio passou da nuca aos braços. Ele viu. 

Pegou com os dedos uma pedra de gelo. Passou no braço dela. 

- Calma pretinha. Ainda nem começamos... 

Quando seus olhos se encontraram, Ele guiou a pedra de gelo para a boca da menina. 

- Chupe.

O mundo parou. O jazz que tocava cessou e as únicas coisas que eram ouvidas eram as batidas dos dois corações e o barulho que a pedra de gelo fazia ao chocar-se contra seus dentes. 

Conversaram como amigos antigos. Conversa fluida, animada.  Ela esqueceu o tempo.

- São  19:50. Faça o que deve fazer.

Aquela frase, dita de modo descontraído chegou direto e reto nela. Foi uma flecha. 

Ela estava paralisada. 

- Vá ao banheiro e traga a fita vermelha que está amarrada em tua calcinha. Volte e se torne minha. Não perca tempo. Eu a espero apenas até às 20:00. Isso não é uma ordem. É um convite. Caso não queira, não amarre a fita. 

Assim ela fez. Foi ao banheiro, tremia. Lavou o rosto. Por determinação anterior não usava nada além de gloss transparente e lápis de olho preto. 

Respirou fundo e foi cumprir com o corpo a decisão que a mente já tinha decretado. 

Retirou as sandálias. A mão tremia.  Ergueu como em um passo de balé a perna direita. Curvou-se em direção a Ele, amarrou a fita e voltou a sentar. 

Ele chegou mais perto. Passando as mãos pela nuca no que seria um abraço, enroscou as mãos nos cabelos dela e puxou. 

- Bem vinda minha puta preta. 


2 comentários:

{Λїtą}_ŞT disse...

Senhorita L,

não sei quando foi escrito (pois o Blogger não marca direito as horas) mas sinto que Baco lhe faz muito bem.
Sinto também que há um pouco mais do que mera coincidência com fatos reais, mas deixa isso pra lá.
Ameiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!
Continuo na fila do gargarejo, poltrona 1.
Beijosssss.

{Λїtą}_ŞT

luba disse...

Ahahaha

Madrugada de ontem!

Puro bacanal entre eu e eu mesma.

Ontem, eu me comi. E FOI UMA DELÍCIA!

O conto é fantasia. Uma das muitas que rondam minha mente profana à qual eu decidi dar asas.

Tem alguns elementos de realidade. Em momentos diferentes...

Coisa gostosa é voar...